terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Destino

Quando os nossos olhos se cruzaram pela primeira vez, nunca imaginei que esse fugaz encontro me deixasse tão profundamente marcada.
Se não vivesse para conhecer outro dia, já teria conhecido sentimento tão alucinante e intenso como o que senti.
Tudo começou com uma inocente troca de olhares e algumas palavras, mas desde aí os nossos
olhares não mais se conseguiram afastar.
Infelizmente tudo não passou de uma nova sensação, pois nenhum de nós conseguiu passar da empatia à acção.
Seguiste os meus passos de longe e a troca de olhares que valiam mais que mil palavras, continuou.
Pelas tuas feições sempre pensei que serias árabe e que apanharias o próximo avião para Marraquesh, mas ironia do Destino vim mais tarde a descobrir que eras tão português quanto eu.
Ainda me cumprimentaste quando me viste de novo, o que eu retribuí e ainda trocamos novamente uns quantos olhares intensamente.
Mas infelizmente quis o Destino que nenhum de nós tivesse a coragem para desenvolver a conversa
horas atrás iniciada e tudo não passou de uma feliz ilusão.
Ainda me lançaste um último olhar como que a me dar um ultimato para falar contigo e trocar números de telemóvel, mas eu congelei e não emiti uma única palavra, o que levou a terminar
aquela troca de palavras mudas.
Soube naquela dia o que era me apaixonar à primeira vista, algo que em toda a minha vida nunca
me tinha acontecido antes.
Infelizmente terei de esquecer que alguma vez te conheci e abafar este sentimento tão intenso.
Nunca mais te irei ver, pois só se o Destino nos voltar a juntar novamente, isso irá acontecer.
Fiquei impressionada como alguém que apenas conheci durante algumas breves horas, me fez sentir algo tão intensamente, algo mais forte que muitas outras relações que tive, me proporcionaram.
Não sei o que é que tinhas de diferente de todos os outros, mas o que é certo é que me fizeste sentir apenas com o teu olhar e magnetismo, algo que me marcou para sempre.
Obrigado por me teres feito sentir viva e desejada, e apesar de ter sido algo tão fugaz, sei que talvez não me esqueças tão depressa.
Se existem as tais almas gémeas, talvez fosses a minha, e eu te tenha deixado escapar. Mas como diz o ditado: "O que é nosso está guardado."e se nos tivermos de voltar a encontrar por ironias do Destino, sei que toda aquela chama apagada a algum custo, se irá reacender e arder como um ninho de uma Phoenix.
Bem, se tiver de ser, até um dia!




Psicho

Foi num sábado frio e preguiçoso que me contactaste pela primeira vez. 
Sem saber inocentemente que eras uma criatura sem coração e com verdadeiros requintes de malvadez, fui-me deixando lentamente enredar na tua teia.
Começaste com falinhas mansas e uma história de vida deveras triste, tudo para me envolver e derreter o coração, história essa que nunca chegarei a saber se era verdadeira ou se apenas invenções da tua mente psicótica. 
Os dias passaram e sem que me apercebesse, tinhas entrado na minha vida de rompante como um trovão numa noite de tempestade...
Já sentia falta das conversas que tinha contigo e que todos os dias alimentavas como se alimenta um fogo com lenha.
Sem que nada o fizesse prever tendo em conta o desenrolar favorável dos acontecimentos, desapareceste sem deixar rasto. 
Sem uma palavra de despedida, sem uma explicação...
Apenas desapareceste. 
Não sei o que te lava ou levou a agir de tal forma. 
Não fui eu que te procurei mas sim tu...
O que me deixa mais indignada e cheia de perguntas sem resposta, que talvez nunca irão ser respondidas. 
Tudo me leva a crer pela tua atitude egoísta e psicótica, que não és uma pessoa equilibrada.
Só espero para teu bem que o Karma nunca te faça uma surpresa e sejas vítima da tua própria armadilha. 

Reencontro

Ainda parece que foi ontem que os nossos olhares e lábios se cruzaram pela ultima vez...
Mas já la vão longos meses sem que nos tenhamos voltado a entregar à chama ardente da paixão que nos consome como que uma folha de papel a arder no lânguido fogo de uma lareira.
Se tudo correr bem voltaremos a sentir essa mesma chama se reacender como uma Phoenix que se ateia em chamas.
Voltaremos a nos envolver como se fossemos um só num vaivém incessante de paixão.
Os teus olhos voltarão a fitar os meus como da última vez.
As tuas mãos voltarão a percorrer preguiçosamente o meu corpo levando-me ao êxtase da luxúria.
Por fim, atingiremos em conjunto o Nirvana e seremos um só.
Voltaremos a nos amar como da última vez e como se fosse a última vez.
Até que nos voltemos a encontrar.

sábado, 21 de novembro de 2015

Djihad

Pode parecer que este assunto já foi suficientemente debatido, mas penso que nunca é demais deixar a opinião sobre este que é o flagelo dos últimos tempos: os ataques terroristas.
Muita gente parece andar bastante mal informada e as suas opiniões flutuam ao sabor do vento. Ora vamos lá ver como isto funciona. Vou começar por explicar o nascimento da organização terrorista do momento, o Estado Islâmico (EI), ISIS, ISIL ou Daesh (Daech - demónio em árabe).
Ora então numa altura onde até então a maior organização terrorista que era conhecida era a AL-QAEDA, surge por volta de 2008 uma organização nova que veio a denominar-se ISIS (Islamic State of Iraq and Siria) mas que inicialmente apenas era o ISI (Islamic State of Iraq). Esta organização constituiu-se inicialmente por antigos presos políticos da guerra do Iraque que foram libertados aquando da saída das tropas americanas do Iraque. Passados uns anos por volta de 2011 se a memória não me falha, começou a guerra civil síria, consequência da Primavera árabe, resultado da crescente revolta de rebeldes contra o regime totalitário de Bachar Al-Assad. O ISI que até então só se estabelecia no Iraque viu esta revolta no país vizinho, como uma oportunidade para expandir a sua organização. Com o apoio financeira de países ricos amigos de Al-Assad, o ISI começou a sua expansão e em pouco tempo conseguiu dominar cidades importantes sírias, passando a denominar-se ISIS (Islamic State of Iraq and Siria), onde instaurou um califado. Ora, para quem não sabe, um califado é um sistema politico como outro qualquer, que tem como chefe de estado, o califa e que acredita que a sua interpretação do Corão e a sua metodologia são as certas, e que todos os muçulmanos do mundo devem obedecer a este e impor as suas ideias. Inicialmente existiu um primeiro califa que foi assassinado, e actualmente governa um que disse aos seus seguidores que tinha rastreado a sua linhagem e que descendia directamente do Profeta Mohammed. 
Com o domínio de terras ricas em petróleo - este é vendido ilegalmente a países como a Turquia - que lhes rende milhões por dia, a venda de artigos roubados de Museus que estes pilham e vendem no mercado negro, venda de escravos - sim, em pleno século XXI, as mulheres que vivem nas cidades que eles tomaram, são violadas e dadas em casamento a oficiais e as mais velhas são vendidas como escravas - e pilhagem de bancos para roubar ouro e dólares, estes são a organização terrorista mais rica do mundo.
Devido aos seus métodos nada ortodoxos e modo selvagem de actuar, a própria AL-QAEDA em 2014 disse não ter qualquer ligação com estes, pois tinham um método que ia contra os seus ideais e interpretação da lei Sharia.
Como temos crescentemente testemunhado através dos ataques sangrentos, em que centenas de vidas são ceifadas inescrupulosamente, este é um sério risco de segurança mundial que ameaça através dos seus djihadistas que não têm qualquer apego pela sua vida ou respeito pela vida de outrem, e que por Ala e pelo califa, fazem o que for preciso para impor a sua visão do mundo.
Na minha opinião, após a declaração de guerra que países como a França e a Rússia tem feito ao ISIS, ao atacar alvos importantes, camiões-cisterna e refinarias, existe uma linha muito ténue entre combate ao terrorismo e 3ª Guerra Mundial, e que há que ter o cuidado para não ultrapassar.
O pior disto tudo é que o ISIS é como um tumor cancerígeno em metástase: Pode -se extrair o tumor mas infelizmente este vai aparecer noutro lado; esta analogia serviu aqui para ilustrar que mesmo que se extermine o maior numero possível de djihadistas, irão sempre haver mais. Talvez aqui o caminho seja tentar cortar todos os fundos e apoios a estes e esperar que o califado seja dissolvido. Ai pode ser que a paz volte a reinar no mundo. Só que infelizmente, após esta pode sempre surgir outra, como aconteceu com o ISIS, que nasceu após a AL-QAEDA já existir.
Vamos esperar que este conflito se resolva pelo melhor e que cada vez sejam menos as vidas ceifadas por gente sem escrúpulos e amor pela vida.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Saudade

Já la vão quase dez meses que deixei o meu país para trás
Deixei tudo em busca de um futuro melhor para mim e para o meu rebento
Mudança essa que não tem sido fácil mas que cada dia estou mais próximo
de me adaptar e integrar neste país que não é o meu e que tão diferente é da minha pátria.
Uma das razões que tem sido mais fácil para mim esta adaptação
é o facto de estar próximo da minha princesa e dos meus pais.
Mas nada preenche a saudade que sinto da praia e que apenas consigo apaziguar
quando vou nas férias ao Algarve e posso de novo sentir a brisa fresca e o sol a queimar a pele.
Nada preenche o vazio deixado pelos amigos que por mais que nós continuemos a falar
via e-mail ou telefone ou facebook, acabarão por se afastar lentamente de nós...
a saudade das conversas, das risadas, das saídas à noite, de uma simples ida à
zona ribeirinha para comer um gelado... enfim... tudo isso se esfumou como um raio de sol no Inverno.
Até podemos tentar resolver esse vazio criando novas amizades ou convivendo com a família
mais próxima de nós, mas nada será igual a estar no nosso próprio país em vez de estar noutro
estranho com diferentes costumes, cultura e em que cada vez que as pessoas nativas falam
connosco sentimos aquela vontade de largar tudo e voltar para a nossa casa.
Mas eu sei que isso é uma Utopia e cada minuto que passa me afasto mais e mais da minha pátria, não por minha culpa mas porque o meu país não oferece nem a mim nem à minha filha
as condições para viver com dignidade.
Vou continuar a sentir saudades dos dias ensolarados algarvios e do clima ameno
em vez dos dias cinzentos, chuvosos e frios com que sou brindada quase diariamente na minha nova casa. Sim porque o calor e dias bons são uma gota num oceano de dias maus.
Resta agora terminar e dizer que vou continuar a sentir saudades da vida que tinha mas não me arrependo, pois sei que cada dia que passa estou mais perto de atingir os meus objectivos e de estar perto de assegurar um futuro mais risonho para a minha pequerrucha.